Maurício Francisco dos Santos
RESUMO- Este ensaio discute a diferenciação entre pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa, propondo a combinação simultânea dessas duas abordagens. Apontamos a “triangulação simultânea” como um caminho complementar entre as abordagens quantitativas e qualitativas. Concluímos o trabalho justificando nossa escola metodológica a partir da natureza de nosso objeto de estudo.
Palavras-chave: pesquisa qualitativa; pesquisa quantitativa; triangulação simultânea.
INTRODUÇÃO
A
escolha do método depende da natureza do objeto e dos problemas que iremos investigar. Para Perrone (1977) a pergunta essencial sobre um método é se ele é útil para arar o terreno empírico que temos em frente. Significa dizer que o julgamento de valor que atribuímos a um determinado método deve estar relacionado à capacidade que este possui em nos aproximar da realidade pesquisada.
Seguindo esse pragmatismo, Downey & Ireland (apud Delli Zotti, 1996) nos diz que as metodologias não são nem apropriadas e nem inapropriadas, até que sejam aplicadas a um problema específico de pesquisa. Do mesmo modo, Günther (1986) afirma que pesquisa sem aplicação é um desperdício. Reconhecendo a relevância dessas afirmações e procurando evitar o reducionismo epistemológico diante dos métodos de pesquisa, assumimos uma posição pragmática ao perguntarmos: Qual é o objeto de nossa pesquisa e qual é a natureza do problema que pretendemos pesquisar, para então decidirmos por um ou outro método ou ainda pela combinação de ambos.
Neste trabalho, propomos a diferenciação entre pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa, evidenciando a complexidade da pesquisa qualitativa no que diz respeito aos pressupostos, a abordagem e o objeto de estudo. Apontamos a triangulação simultânea como um possível caminho pragmático e finalizamos o ensaio com as implicações para a pesquisa oriundas da escolha entre os métodos.
Diferenciação entre Pesquisa Qualitativa & Pesquisa Quantitativa
S
egundo Minayo & Sanches (1993) na perspectiva metodológica, não existe contradição ou continuidade entre investigação quantitativa e qualitativa. Para esses pesquisadores, as duas investigações têm natureza distinta, isto é: a investigação qualitativa aborda os valores, as representações, as crenças, os hábitos, as opiniões e atitudes, ao passo que a investigação quantitativa atua em níveis de realidade e objetiva elucidar dados e tendências observáveis.
Para Goldenberg (2001) a pesquisa qualitativa enfatiza as particularidades de um fenômeno em termos de seu significado para o grupo pesquisado, enquanto a pesquisa quantitativa supõe um grupo de objetos comparáveis. Na pesquisa qualitativa, diz a pesquisadora, a escolha do objeto já se configura como um julgamento de valor e o contexto da pesquisa, a orientação teórica, o momento sócio-histórico e a personalidade do pesquisador influenciam o resultado da pesquisa.
Buscando superar a contraposição entre os métodos qualitativos e quantitativos, Reichardt & Cook (1979) defendem a combinação dos atributos dos dois métodos a fim de solucionar com maior eficácia o problema de pesquisa. Dessa forma, para esses autores, as características atribuídas aos métodos são:
Método Qualitativo
Método Quantitativo
Fenomenologismo- interessa-se em compreender a conduta humana do ponto de vista do ator.
Positivismo lógico- procura as causas dos fenômenos sociais.
Utiliza uma observação naturalista e sem controle.
Exige uma mediação rigorosa e controlada.
É subjetivo.
É objetivo e orientado para o resultado.
Está próximo dos dados.
É orientado para a comprovação.
Fundamenta-se na realidade e é orientado para o processo.
É inferencial e hipotético-dedutivo.
É orientado para a descoberta, exploratório, holístico, expansionista descritivo e indutivo.
É fiável (dados sólidos e repetíveis).
É válido (dados reais, próximos, profundos).
É generalizável (estudo de casos múltiplos).
Não é generalizável (estudo de casos isolados).
Assume uma realidade estável.
Triangulação simultânea : a complementariedade entre os métodos
M
orse (1991) propõe a “triangulação simultânea” como forma de conciliação entre os métodos qualitativos e quantitativos. Esta combinação, segundo esse autor, tornaria a pesquisa mais forte, reduzindo os problemas de adoção exclusiva de um único método. Nessa mesma linha de raciocínio, Duffy (1987) indica como benefícios do emprego conjunto dos métodos quantitativos e qualitativos o seguinte:
a- Possibilidade de congregar controle dos vieses (pelos métodos quantitativos) com compreensão da perspectiva dos agentes envolvidos no fenômeno (pelos métodos qualitativos);
b- Congregar identificação de variáveis específicas (pelos métodos quantitativos) com visão global do fenômeno (pelos métodos qualitativos);
c- Possibilidade de completar um conjunto de fatos e causas associados ao emprego de metodologia quantitativa com uma visão da natureza dinâmica da realidade e
d- Credibilidade das constatações obtidas sob condições controladas com dados resultantes do contexto natural de sua ocorrência.
Assim como Morse, Reichardt & Cook (1979) defendem a complementariedade entre os métodos e propõe estratégias de integração na prática de investigação. Estes pesquisadores sugerem que recorramos à metodologia mista quando objetivarmos, simultaneamente, a realização de análises comparativas em busca de resultados compreensivos e em profundidade. Recorrer ao método misto permite a superação das limitações impostas pela metodologia qualitativa e quantitativa, permitindo a complementariedade dos dados (Triangulação), argumentam os autores.
Pesquisa Qualitativa, Pesquisa Quantitativa ou Triangulação Simultânea – Escolher é preciso!
D
o ponto de vista da praticidade, existem razões diversas que podem induzir um pesquisador a optar por uma abordagem ou outra. São considerações objetivas que levam em conta os recursos disponíveis, o tempo existente para realização da pesquisa e preparo do relatório, os incentivos disponíveis, os recursos materiais e o acesso à população pesquisada. Em síntese, a questão não é colocar a pesquisa qualitativa em oposição à pesquisa quantitativa, nem decidir por uma ou outra metodologia. A questão tem implicações práticas, empíricas e técnicas. Güinther (1986).
Ainda segundo Güinther (1986), o pesquisador não deve escolher entre um método ou outro, mas utilizar as várias abordagens qualitativas e quantitativas adequadas à sua questão de pesquisa. Da mesma forma, Goldenberg (2001) defende a união da abordagem quantitativa e qualitativa por acreditar que esta propicia ao pesquisador uma visão mais ampla e inteligível da complexidade de um problema. A combinação de metodologias no estudo do fenômeno possibilita a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do objeto estudado, argumenta a estudiosa.
Rebatendo a desconfiança na abordagem qualitativa e\ou quantitativa de alguns investigadores, Minayo & Sanches (1993) nos dizem que do ponto de vista epistemológico, nenhuma abordagem é mais científica do que a outra e que a pesquisa quantitativa, ainda que apoiada em manipulação sofisticada de instrumentos de análise, se desconhecer os fenômenos estudados e não responder às questões investigadas, não poderá ser considerada como mais “objetiva” ou “melhor”. Do mesmo modo, concluem os autores, uma abordagem qualitativa em si não traz a garantia de compreensão em profundidade.
Triangulação Simultânea- O porquê da Escolha
A
natureza e a complexidade do objeto de estudo, a especificidade da questão de pesquisa, a visão ampla e inteligível almejada me conduzem à abordagem mista, aqui denominada “triangulação simultânea” que se configura como a combinação do método qualitativo com o método quantitativo.
Pretendo discutir, na perspectiva epistemológica da complexidade, a Ação Pedagógica exercida pelos professores-formadores do Curso Gestar (Gestão da Aprendizagem Escolar) oferecido pela Universidade de Brasília-UnB. A atuação dos professores-formadores dentro desse programa de formação continuada, orientado para a formação em serviço, baseia-se na concepção sócio-construtivista em que professores-formadores e professores-cursistas se ligam por vínculos profissionais e afetivos.
O que seria, então, essa “Ação pedagógica” ou esse “agir pedagógico” definido por alguns como “Mediação pedagógica”. Em que contexto se dá tal ato e em que medida essa “Mediação” se assemelha ou se distancia das idéias de Complexidade, Ato dialógico, Postura de indagação crítica, Práxis pedagógica e Pedagogia radical, defendidas respectivamente por Edgar Morin, Paulo Freire, Rogédio Córdova, C. Castoriadis e Henry Giroux.
Propor a “ação pedagógica” de um grupo de professores como objeto de pesquisa me conduz à investigação de representações, hábitos e atitudes bem como a desenvolver conceitos a partir dos dados obtidos e esse caminho me leva, inevitavelmente, a uma abordagem qualitativa. No entanto, não podemos negar que durante o desenvolvimento da pesquisa possam surgir situações em que a abordagem quantitativa seja também apropriada. Posso, por exemplo, incorporar tendências observáveis aos resultados que só são clarificadas a partir da coleta de dados quantitativos. Assim, coloco-me como adepto das idéias de Morse, Duffy, Reichardt & Cook , propondo a junção dos métodos quantitativos e qualitativos.
Outro aspecto relevante e já citado por Güinther (1986) é a questão pragmática. Todo pesquisador busca credibilidade, respeito e, principalmente, aplicabilidade aos resultados obtidos. Por outro lado, o êxito de nosso trabalho depende de fatores tais como: poucos recursos materiais, escassez de tempo e condições adversas nas quais a pesquisa será realizada. Tudo isso obriga o pesquisador a optar por um percurso compatível às condições dadas. Logo, diante das condições reais presentes e por acreditar na superação dos limites oriundos da metodologia qualitativa e quantitativa, proponho a utilização da “triangulação simultânea” como caminho coerente e prático capaz de conduzir-me à compreensão satisfatória do objeto que pretendo investigar.
Referências bibliográficas
Duffy, Mary E., Methodological triangulation: a vehicle for merging quantitative and qualitative
Research methods, In Jornal of Nursing
Scholarship, 1978, pp. 130-133.
Delli Zotti G. 1996. Quale quantitá e quanta qualitá nella ricerca sociale: tra integrazione
E convergenza, PP. 136-166. In C Cipolla & A. De Lillo (orgs.) II Sociologo e le Sirene:
La Sfida dei Metodi Qualitativ. Angeli, Milão. [Links]
Goldenberg, Mirian. A arte da pesquisa- Como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 10ª Ed. Editora Record. Rio de Janeiro-2001.
Güinther, I. A. (1986). Pesquisa para conhecimento ou pesquisa para decisão. Psicologia: Reflexão e Crítica, 75-78.
Hofstätter, P.R. (1975). Psychologie. Frankfurt: Fischer.
Minayo, M.C & Sanches, O. 1993. Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementariedade. Caderno de Saúde Pública. [Links]
Morse, J. Approaches to qualitative-quantitative methodological triangulation,
Nursing Research, 40 (1) 1991, p. 120-132.
Perrone, L. 1997. Metodi Quantitativi ella Recerca Sociale. Feltrinelli, Milão. [Link]
Reichardt, C. e Cook, T. (1979). Beyong Qualitative versus Quantitative Methods. In T. Cook e C. Reichardt (Eds.), Qualitative and Quantitative Methods in Evaluation Research. London: Sage Publications.
RESUMO- Este ensaio discute a diferenciação entre pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa, propondo a combinação simultânea dessas duas abordagens. Apontamos a “triangulação simultânea” como um caminho complementar entre as abordagens quantitativas e qualitativas. Concluímos o trabalho justificando nossa escola metodológica a partir da natureza de nosso objeto de estudo.
Palavras-chave: pesquisa qualitativa; pesquisa quantitativa; triangulação simultânea.
INTRODUÇÃO
A
escolha do método depende da natureza do objeto e dos problemas que iremos investigar. Para Perrone (1977) a pergunta essencial sobre um método é se ele é útil para arar o terreno empírico que temos em frente. Significa dizer que o julgamento de valor que atribuímos a um determinado método deve estar relacionado à capacidade que este possui em nos aproximar da realidade pesquisada.
Seguindo esse pragmatismo, Downey & Ireland (apud Delli Zotti, 1996) nos diz que as metodologias não são nem apropriadas e nem inapropriadas, até que sejam aplicadas a um problema específico de pesquisa. Do mesmo modo, Günther (1986) afirma que pesquisa sem aplicação é um desperdício. Reconhecendo a relevância dessas afirmações e procurando evitar o reducionismo epistemológico diante dos métodos de pesquisa, assumimos uma posição pragmática ao perguntarmos: Qual é o objeto de nossa pesquisa e qual é a natureza do problema que pretendemos pesquisar, para então decidirmos por um ou outro método ou ainda pela combinação de ambos.
Neste trabalho, propomos a diferenciação entre pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa, evidenciando a complexidade da pesquisa qualitativa no que diz respeito aos pressupostos, a abordagem e o objeto de estudo. Apontamos a triangulação simultânea como um possível caminho pragmático e finalizamos o ensaio com as implicações para a pesquisa oriundas da escolha entre os métodos.
Diferenciação entre Pesquisa Qualitativa & Pesquisa Quantitativa
S
egundo Minayo & Sanches (1993) na perspectiva metodológica, não existe contradição ou continuidade entre investigação quantitativa e qualitativa. Para esses pesquisadores, as duas investigações têm natureza distinta, isto é: a investigação qualitativa aborda os valores, as representações, as crenças, os hábitos, as opiniões e atitudes, ao passo que a investigação quantitativa atua em níveis de realidade e objetiva elucidar dados e tendências observáveis.
Para Goldenberg (2001) a pesquisa qualitativa enfatiza as particularidades de um fenômeno em termos de seu significado para o grupo pesquisado, enquanto a pesquisa quantitativa supõe um grupo de objetos comparáveis. Na pesquisa qualitativa, diz a pesquisadora, a escolha do objeto já se configura como um julgamento de valor e o contexto da pesquisa, a orientação teórica, o momento sócio-histórico e a personalidade do pesquisador influenciam o resultado da pesquisa.
Buscando superar a contraposição entre os métodos qualitativos e quantitativos, Reichardt & Cook (1979) defendem a combinação dos atributos dos dois métodos a fim de solucionar com maior eficácia o problema de pesquisa. Dessa forma, para esses autores, as características atribuídas aos métodos são:
Método Qualitativo
Método Quantitativo
Fenomenologismo- interessa-se em compreender a conduta humana do ponto de vista do ator.
Positivismo lógico- procura as causas dos fenômenos sociais.
Utiliza uma observação naturalista e sem controle.
Exige uma mediação rigorosa e controlada.
É subjetivo.
É objetivo e orientado para o resultado.
Está próximo dos dados.
É orientado para a comprovação.
Fundamenta-se na realidade e é orientado para o processo.
É inferencial e hipotético-dedutivo.
É orientado para a descoberta, exploratório, holístico, expansionista descritivo e indutivo.
É fiável (dados sólidos e repetíveis).
É válido (dados reais, próximos, profundos).
É generalizável (estudo de casos múltiplos).
Não é generalizável (estudo de casos isolados).
Assume uma realidade estável.
Triangulação simultânea : a complementariedade entre os métodos
M
orse (1991) propõe a “triangulação simultânea” como forma de conciliação entre os métodos qualitativos e quantitativos. Esta combinação, segundo esse autor, tornaria a pesquisa mais forte, reduzindo os problemas de adoção exclusiva de um único método. Nessa mesma linha de raciocínio, Duffy (1987) indica como benefícios do emprego conjunto dos métodos quantitativos e qualitativos o seguinte:
a- Possibilidade de congregar controle dos vieses (pelos métodos quantitativos) com compreensão da perspectiva dos agentes envolvidos no fenômeno (pelos métodos qualitativos);
b- Congregar identificação de variáveis específicas (pelos métodos quantitativos) com visão global do fenômeno (pelos métodos qualitativos);
c- Possibilidade de completar um conjunto de fatos e causas associados ao emprego de metodologia quantitativa com uma visão da natureza dinâmica da realidade e
d- Credibilidade das constatações obtidas sob condições controladas com dados resultantes do contexto natural de sua ocorrência.
Assim como Morse, Reichardt & Cook (1979) defendem a complementariedade entre os métodos e propõe estratégias de integração na prática de investigação. Estes pesquisadores sugerem que recorramos à metodologia mista quando objetivarmos, simultaneamente, a realização de análises comparativas em busca de resultados compreensivos e em profundidade. Recorrer ao método misto permite a superação das limitações impostas pela metodologia qualitativa e quantitativa, permitindo a complementariedade dos dados (Triangulação), argumentam os autores.
Pesquisa Qualitativa, Pesquisa Quantitativa ou Triangulação Simultânea – Escolher é preciso!
D
o ponto de vista da praticidade, existem razões diversas que podem induzir um pesquisador a optar por uma abordagem ou outra. São considerações objetivas que levam em conta os recursos disponíveis, o tempo existente para realização da pesquisa e preparo do relatório, os incentivos disponíveis, os recursos materiais e o acesso à população pesquisada. Em síntese, a questão não é colocar a pesquisa qualitativa em oposição à pesquisa quantitativa, nem decidir por uma ou outra metodologia. A questão tem implicações práticas, empíricas e técnicas. Güinther (1986).
Ainda segundo Güinther (1986), o pesquisador não deve escolher entre um método ou outro, mas utilizar as várias abordagens qualitativas e quantitativas adequadas à sua questão de pesquisa. Da mesma forma, Goldenberg (2001) defende a união da abordagem quantitativa e qualitativa por acreditar que esta propicia ao pesquisador uma visão mais ampla e inteligível da complexidade de um problema. A combinação de metodologias no estudo do fenômeno possibilita a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do objeto estudado, argumenta a estudiosa.
Rebatendo a desconfiança na abordagem qualitativa e\ou quantitativa de alguns investigadores, Minayo & Sanches (1993) nos dizem que do ponto de vista epistemológico, nenhuma abordagem é mais científica do que a outra e que a pesquisa quantitativa, ainda que apoiada em manipulação sofisticada de instrumentos de análise, se desconhecer os fenômenos estudados e não responder às questões investigadas, não poderá ser considerada como mais “objetiva” ou “melhor”. Do mesmo modo, concluem os autores, uma abordagem qualitativa em si não traz a garantia de compreensão em profundidade.
Triangulação Simultânea- O porquê da Escolha
A
natureza e a complexidade do objeto de estudo, a especificidade da questão de pesquisa, a visão ampla e inteligível almejada me conduzem à abordagem mista, aqui denominada “triangulação simultânea” que se configura como a combinação do método qualitativo com o método quantitativo.
Pretendo discutir, na perspectiva epistemológica da complexidade, a Ação Pedagógica exercida pelos professores-formadores do Curso Gestar (Gestão da Aprendizagem Escolar) oferecido pela Universidade de Brasília-UnB. A atuação dos professores-formadores dentro desse programa de formação continuada, orientado para a formação em serviço, baseia-se na concepção sócio-construtivista em que professores-formadores e professores-cursistas se ligam por vínculos profissionais e afetivos.
O que seria, então, essa “Ação pedagógica” ou esse “agir pedagógico” definido por alguns como “Mediação pedagógica”. Em que contexto se dá tal ato e em que medida essa “Mediação” se assemelha ou se distancia das idéias de Complexidade, Ato dialógico, Postura de indagação crítica, Práxis pedagógica e Pedagogia radical, defendidas respectivamente por Edgar Morin, Paulo Freire, Rogédio Córdova, C. Castoriadis e Henry Giroux.
Propor a “ação pedagógica” de um grupo de professores como objeto de pesquisa me conduz à investigação de representações, hábitos e atitudes bem como a desenvolver conceitos a partir dos dados obtidos e esse caminho me leva, inevitavelmente, a uma abordagem qualitativa. No entanto, não podemos negar que durante o desenvolvimento da pesquisa possam surgir situações em que a abordagem quantitativa seja também apropriada. Posso, por exemplo, incorporar tendências observáveis aos resultados que só são clarificadas a partir da coleta de dados quantitativos. Assim, coloco-me como adepto das idéias de Morse, Duffy, Reichardt & Cook , propondo a junção dos métodos quantitativos e qualitativos.
Outro aspecto relevante e já citado por Güinther (1986) é a questão pragmática. Todo pesquisador busca credibilidade, respeito e, principalmente, aplicabilidade aos resultados obtidos. Por outro lado, o êxito de nosso trabalho depende de fatores tais como: poucos recursos materiais, escassez de tempo e condições adversas nas quais a pesquisa será realizada. Tudo isso obriga o pesquisador a optar por um percurso compatível às condições dadas. Logo, diante das condições reais presentes e por acreditar na superação dos limites oriundos da metodologia qualitativa e quantitativa, proponho a utilização da “triangulação simultânea” como caminho coerente e prático capaz de conduzir-me à compreensão satisfatória do objeto que pretendo investigar.
Referências bibliográficas
Duffy, Mary E., Methodological triangulation: a vehicle for merging quantitative and qualitative
Research methods, In Jornal of Nursing
Scholarship, 1978, pp. 130-133.
Delli Zotti G. 1996. Quale quantitá e quanta qualitá nella ricerca sociale: tra integrazione
E convergenza, PP. 136-166. In C Cipolla & A. De Lillo (orgs.) II Sociologo e le Sirene:
La Sfida dei Metodi Qualitativ. Angeli, Milão. [Links]
Goldenberg, Mirian. A arte da pesquisa- Como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 10ª Ed. Editora Record. Rio de Janeiro-2001.
Güinther, I. A. (1986). Pesquisa para conhecimento ou pesquisa para decisão. Psicologia: Reflexão e Crítica, 75-78.
Hofstätter, P.R. (1975). Psychologie. Frankfurt: Fischer.
Minayo, M.C & Sanches, O. 1993. Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementariedade. Caderno de Saúde Pública. [Links]
Morse, J. Approaches to qualitative-quantitative methodological triangulation,
Nursing Research, 40 (1) 1991, p. 120-132.
Perrone, L. 1997. Metodi Quantitativi ella Recerca Sociale. Feltrinelli, Milão. [Link]
Reichardt, C. e Cook, T. (1979). Beyong Qualitative versus Quantitative Methods. In T. Cook e C. Reichardt (Eds.), Qualitative and Quantitative Methods in Evaluation Research. London: Sage Publications.
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