Ao analisarmos os estudos psicológicos no Brasil, nos últimos 20 anos, acerca da Criatividade, percebemos uma mudança de foco, que vai do indivíduo para os grupos sociais. Esse redirecionamento, que antes se centrava no perfil do indivíduo criativo, voltou-se, agora, para os fatores sociais, culturais e históricos constituintes da sociedade. Desta forma, as questões que me inquietam são as seguintes :
Em que medida a escola é afetada pelos estudos sobre Criatividade e,
De que maneira o fazer pedagógico é afetado por esses estudos.
Em busca de respostas as questões, proponho o estudo comparativo entre as Teorias Recentes ao Estudo da Criatividade e o Pensamento Pedagógico dos mestres: John Dewey, Henri Wallon e Edgar Morin.
John Dewey (1859-1952) filósofo norte-americano defendia a democracia e a liberdade de pensamento como instrumentos à maturação emocional e intelectual das crianças. Este pensador pôs a prática docente em foco e afirmava que “o professor que desperta entusiasmo em seus alunos consegue algo que nenhuma soma de métodos sistematizados, por mais corretos que sejam, pode obter”. Percebam a proximidade entre as ideias de “liberdade de pensamento para o aluno” e “capacidade do professor em despertar entusiasmo” proposto por Dewey e a Teoria do Investimento em Criatividade, de Sternberg e Lubart, nos aspectos de Contexto Ambiental e Motivação.
Para os autores da Teoria do Investimento em Criatividade, o contexto ambiental seria decisivo ao desenvolvimento do potencial criativo. Dessa maneira, a liberdade de pensamento defendida por Dewey, faz-se presente nas variáveis pessoais e situacionais pensadas por Stenberg e Lubart.
Se motivação para Dewey seria reflexo de uma prática docente fundada na liberdade do aluno para elaborar as próprias certezas e os próprios conhecimentos, estando condicionada, também, à capacidade do professor em despertar no discente o desejo em aprender, podemos afirmar que a postura docente defendida por ele, assemelha-se aos recursos motivacionais ou força impulsionadora da performance criativa, propostas por Stenberg e Lubart.
A motivação ganha também papel de destaque no Modelo Componencial de Criatividade, proposto por Amabile. Nele, esta pesquisadora define a motivação intrínseca como o terceiro componente. Seria essa motivação intrínseca a responsável pela busca de mais informações sobre a área pesquisada e que determinaria o grau de envolvimento do indivíduo. O alcance da meta e o reconhecimento externo seriam igualmente importantes.
De maneira similiar, Henry Wallon (1879-1962) médico, psicólogo e filósofo francês, mostrou que “o indivíduo é social não como resultado de circunstância externas, mas em virtude de uma necessidade interna”. Assim, necessidade interna para Wallon, seria o reconhecimento que cada indivíduo busca em cada produto por ele produzido.
Por fim, Csikszentmihalyi, em sua Perspectiva de Sistemas, afirma que o foco das pesquisas em criatividade deve enfatizar os sistemas sociais e não somente o indivíduo. Para esse estudioso, criatividade não é um fenômeno individual, mas antes, um processo sistêmico. Tal modelo sistêmico define criatividade como produto capaz de modificar ou transformar um domínio (cultura), pois nasceria da interação entre criador e sua audiência ou, dito de outra maneira, da interação entre os pensamentos do indivíduo e o contexto sócio-cultural.
O enfoque nos sistemas sociais e, sobretudo, no contexto sócio-cultural, proposto pelo modelo sistêmico de Csikszentmihalyi nos remete ao conceito de complexidade, defendido por Morin.
Edgar Morin, sociólogo francês, afirma que o mais urgente no campo das ideias não é rever doutrinas ou métodos, mas construir uma nova concepção de conhecimento. Em vez de fragmentação e simplificação, ele propõe o conceito de complexidade- que tomado em sentido etimológico latino significa “aquilo que é tecido em conjunto”. Portando, criatividade para Csikszentmihalyi é algo elaborado de forma coletiva, em um contexto sócio-cultural, assim como o conhecimento para Morin é também edificado de maneira conjunta, na relação entre as partes e o todo.
Após este breve estudo comparativo em que busco juntar pesquisadores e pensadores de diferentes épocas, mas com ideias afins, passo então a responder as questões propostas inicialmente:
Em que medida a escola é afetada pelos estudos sobre Criatividade e,
De que maneira o fazer pedagógico é afetado por esses estudos.
Os estudos recentes sobre criatividade pode ajudar a escola a planejar ações estratégicas que possibilitem o desenvolvimento da criatividade dos alunos. Amabile, por exemplo, reforça a importância do estímulo à criatividade em sala de aula por meio do encorajamento à autonomia. Ela destaca, ainda, o respeito a individualidade como essencial ao crescimento dos indivíduos.
FONTES- Leituras realizadas:
• Contribuições Teóricas Recentes ao Estudo da Criatividade
Eunice M. L. Soriano de Alencar
Denise de Souza Fleith
• Revista Nova Escola- Grandes Pensadores- Edição especial nº 19.

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