Em "Criatividade: múltiplas perspectivas", capítulo 6, especificamente no tópico “Características de um clima favorável à criatividade nas organizações” as autoras destacam a importância do clima psicológico favorável como essencial à promoção da criatividade dos indivíduos, exemplificando com o caso da empresa americana que investe na autonomia dos funcionários ao destinar 15% do tempo ao desenvolvimento de projetos diversos alheios às atribuições normais. Assim, autonomia é o ponto a ser considerado nesta análise pois, conforme afirma Amabile, ela serve como estímulo para que cada indivíduo realize sua tarefa de forma plena, valendo-se de seus conhecimentos e experiências.
Desta forma, a questão central seria de que maneira o processo educativo poderia lançar mão da autonomia como instrumento de estímulo à criatividade. Mas de que autonomia falamos e qual a sua função desta no contexto escolar. Castoriadis (apud Córdova,2004:23) nos diz que a verdadeira autonomia, ou autonomia autêntica do sujeito, implica e requer a autonomia da sociedade, não podendo haver indivíduos plenamente autônomos numa sociedade não autônoma e, por outro lado, correlativamente, não pode existir sociedade autônoma formada por indivíduos alienados. Trazendo esta lógica para o contexto educacional, podemos afirmar que a autonomia do aluno está estreitamente condicionada à autonomia dos gestores, docentes e, principalmente, ao grau de autonomia da própria Instituição Escolar. Nesse cenário, a autonomia, verdadeiramente, só pode ser alcançada como empreitada coletiva. O que vemos ao nosso redor são espaços onde se realiza a manipulação e a reificação dos alunos como fato natural, quase naturalizado.
A autonomia plena implica no conhecimento e na aceitação de que “o indivíduo não é fruto da natureza, mesmo tropical, (mas) é criação e instituição social”. Castoriadis (apud Córdova, 2004:76). Logo, assumir plenamente a autonomia pressupõe a aceitação de que o enfrentamento e a contestação das normas são essenciais ao processo criativo. Em outras palavras, ser autônomo é aceitar e reconhecer que nosso destino (individual e coletivo) está em nossas mãos e que o sentido que damos às nossas ações são de nossa inteira responsabilidade.
A autonomia e os três componentes da criatividade
No texto “Como não matar a criatividade” Amabile (1999), nos diz que “Em cada pessoa, a criatividade é uma função de três componentes: expertise, raciocínio criativo e motivação”.A questão a ser discutida é a seguinte: os professores, como mediadores entre o sujeito e o conhecimento, são capazes de promover a expertise, o raciocínio criativo e a motivação dos alunos na perspectiva da autonomia. Compreendemos autonomia como a capacidade do sujeito de pensar de forma autônoma e emancipatória, sendo capaz de governar e ser governado.
Nossa hipótese é a de que qualquer que seja o caminho proposto, o professor deverá considerar que o enfoque do processo ensino-aprendizagem não é meramente ensinar matérias específicas, mas desenvolver a capacidade de aprender do sujeito: aprender a aprender, aprender a descobrir, aprender a inventar, o que não pode ocorrer sem o ensino de certas matérias que devem ser consideradas como degrau de apoio à capacidade do aluno em aprender, descobrir e inventar. Assim, a expertise, o raciocínio criativo e a motivação estão condicionados à capacidade de reflexão dos sujeitos. Afinal, “todo sistema educativo incapaz de fornecer uma resposta racional à pergunta dos alunos sobre a ração de estudar cada conteúdo, é um sistema defeituoso”.Castoriadis (apud Córdova, 2004:110)
Referências:
1- Alencar, Eunice Soriano de
Criatividade: múltiplas perspectivas\ Eunice Soriano de
Alencar; Denise de Souza Fleith. – 3. Ed. – Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 2003,2009 (reimpressão).
220p. (Capítulo 6- Criatividade no contexto das organizações)
2- Como não matar a criatividade- Teresa Amabile.
3- Córdova, Rogério de Andrade. Instituição, Educação E Autonomia na obra
de Cornelius Castoriadis. Brasília: Plano Editora, 2004.
Referências:
1- Alencar, Eunice Soriano de
Criatividade: múltiplas perspectivas\ Eunice Soriano de
Alencar; Denise de Souza Fleith. – 3. Ed. – Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 2003,2009 (reimpressão).
220p. (Capítulo 6- Criatividade no contexto das organizações)
2- Como não matar a criatividade- Teresa Amabile.
3- Córdova, Rogério de Andrade. Instituição, Educação E Autonomia na obra
de Cornelius Castoriadis. Brasília: Plano Editora, 2004.
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