quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Pesquisa Experimental
A pesquisa experimental tem como finalidade testar hipóteses que dizem respeito à convicção do pesquisador. Ela envolve grupos de controle, seleção aleatória e manipulação de variáveis independentes. Buscam-se generalizações por meio de técnicas de coleta de amostragem realizadas durante a experiência.
A pesquisa experimental é tida como um bom exemplo de pesquisa científica pelo nível de controle da situação que é propiciada ao pesquisador. Assim, podemos isolar todas as estruturas das possíveis interferências externas e isso produz credibilidade aos resultados. A principal característica da pesquisa experimental, portanto, é o fato da variável independente ser manipulada pelo pesquisador evitando equívocos e ambiguidades.
Para Kerlinger (1979) o fato de as variáveis ou grupos poderem ser analisados em ambientes programados é considerada, a um só tempo, positiva e negativa. Positiva porque proporciona credibilidade já que a interferência do meio é praticamente nula e o pesquisador tem total autonomia sobre seu objeto de estudo. Esse mesmo pesquisador nos diz sobre o lado negativo afirmando que quando retiramos o objeto de seu meio natural, comprometemos as análises, pois estas serão parciais e não aplicáveis nas relações fora do ambiente propiciado pelo pesquisador.
Na pesquisa experimental fica evidenciado o valor do conhecimento empírico, pois se não houver possibilidade de um experimento ser ou não comprovado pelos sentidos ou mesmo contradizer uma hipótese, então não haverá sentido (finalidade) no experimento. Desta forma, podemos dizer que em ciência o termo empírico pode ser usado como sinônimo de “experimental”.
A segunda parte da aula foi destinada à explicação de como transformar dados quantitativos em artigo de pesquisa. Foi dado destaque especial ao programa de pesquisa SPSS, que auxilia os pesquisadores no tratamento dos dados.
Chegando ao final desta disciplina, sinto-me provocado a ler mais e mais. É preciso aprofundar as leituras o quanto antes, pois a impressão que tenho é de que “minhas dúvidas foram aprofundadas” como bem disse o colega Ivar. Mas, se “as chaves de leitura são fornecidas no mestrado” e a “Ciência não é um modo especial de acesso ao conhecimento, mas apenas mais um modo” preciso, urgentemente, apropriar-me desta chave para que novas portas possam ser abertas a favor do meu aprimoramento profissional.
A pesquisa experimental é tida como um bom exemplo de pesquisa científica pelo nível de controle da situação que é propiciada ao pesquisador. Assim, podemos isolar todas as estruturas das possíveis interferências externas e isso produz credibilidade aos resultados. A principal característica da pesquisa experimental, portanto, é o fato da variável independente ser manipulada pelo pesquisador evitando equívocos e ambiguidades.
Para Kerlinger (1979) o fato de as variáveis ou grupos poderem ser analisados em ambientes programados é considerada, a um só tempo, positiva e negativa. Positiva porque proporciona credibilidade já que a interferência do meio é praticamente nula e o pesquisador tem total autonomia sobre seu objeto de estudo. Esse mesmo pesquisador nos diz sobre o lado negativo afirmando que quando retiramos o objeto de seu meio natural, comprometemos as análises, pois estas serão parciais e não aplicáveis nas relações fora do ambiente propiciado pelo pesquisador.
Na pesquisa experimental fica evidenciado o valor do conhecimento empírico, pois se não houver possibilidade de um experimento ser ou não comprovado pelos sentidos ou mesmo contradizer uma hipótese, então não haverá sentido (finalidade) no experimento. Desta forma, podemos dizer que em ciência o termo empírico pode ser usado como sinônimo de “experimental”.
A segunda parte da aula foi destinada à explicação de como transformar dados quantitativos em artigo de pesquisa. Foi dado destaque especial ao programa de pesquisa SPSS, que auxilia os pesquisadores no tratamento dos dados.
Chegando ao final desta disciplina, sinto-me provocado a ler mais e mais. É preciso aprofundar as leituras o quanto antes, pois a impressão que tenho é de que “minhas dúvidas foram aprofundadas” como bem disse o colega Ivar. Mas, se “as chaves de leitura são fornecidas no mestrado” e a “Ciência não é um modo especial de acesso ao conhecimento, mas apenas mais um modo” preciso, urgentemente, apropriar-me desta chave para que novas portas possam ser abertas a favor do meu aprimoramento profissional.
Pesquisa Quantitativa & Pesquisa Qualitativa: uma escolha pragmática
Maurício Francisco dos Santos
RESUMO- Este ensaio discute a diferenciação entre pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa, propondo a combinação simultânea dessas duas abordagens. Apontamos a “triangulação simultânea” como um caminho complementar entre as abordagens quantitativas e qualitativas. Concluímos o trabalho justificando nossa escola metodológica a partir da natureza de nosso objeto de estudo.
Palavras-chave: pesquisa qualitativa; pesquisa quantitativa; triangulação simultânea.
INTRODUÇÃO
A
escolha do método depende da natureza do objeto e dos problemas que iremos investigar. Para Perrone (1977) a pergunta essencial sobre um método é se ele é útil para arar o terreno empírico que temos em frente. Significa dizer que o julgamento de valor que atribuímos a um determinado método deve estar relacionado à capacidade que este possui em nos aproximar da realidade pesquisada.
Seguindo esse pragmatismo, Downey & Ireland (apud Delli Zotti, 1996) nos diz que as metodologias não são nem apropriadas e nem inapropriadas, até que sejam aplicadas a um problema específico de pesquisa. Do mesmo modo, Günther (1986) afirma que pesquisa sem aplicação é um desperdício. Reconhecendo a relevância dessas afirmações e procurando evitar o reducionismo epistemológico diante dos métodos de pesquisa, assumimos uma posição pragmática ao perguntarmos: Qual é o objeto de nossa pesquisa e qual é a natureza do problema que pretendemos pesquisar, para então decidirmos por um ou outro método ou ainda pela combinação de ambos.
Neste trabalho, propomos a diferenciação entre pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa, evidenciando a complexidade da pesquisa qualitativa no que diz respeito aos pressupostos, a abordagem e o objeto de estudo. Apontamos a triangulação simultânea como um possível caminho pragmático e finalizamos o ensaio com as implicações para a pesquisa oriundas da escolha entre os métodos.
Diferenciação entre Pesquisa Qualitativa & Pesquisa Quantitativa
S
egundo Minayo & Sanches (1993) na perspectiva metodológica, não existe contradição ou continuidade entre investigação quantitativa e qualitativa. Para esses pesquisadores, as duas investigações têm natureza distinta, isto é: a investigação qualitativa aborda os valores, as representações, as crenças, os hábitos, as opiniões e atitudes, ao passo que a investigação quantitativa atua em níveis de realidade e objetiva elucidar dados e tendências observáveis.
Para Goldenberg (2001) a pesquisa qualitativa enfatiza as particularidades de um fenômeno em termos de seu significado para o grupo pesquisado, enquanto a pesquisa quantitativa supõe um grupo de objetos comparáveis. Na pesquisa qualitativa, diz a pesquisadora, a escolha do objeto já se configura como um julgamento de valor e o contexto da pesquisa, a orientação teórica, o momento sócio-histórico e a personalidade do pesquisador influenciam o resultado da pesquisa.
Buscando superar a contraposição entre os métodos qualitativos e quantitativos, Reichardt & Cook (1979) defendem a combinação dos atributos dos dois métodos a fim de solucionar com maior eficácia o problema de pesquisa. Dessa forma, para esses autores, as características atribuídas aos métodos são:
Método Qualitativo
Método Quantitativo
Fenomenologismo- interessa-se em compreender a conduta humana do ponto de vista do ator.
Positivismo lógico- procura as causas dos fenômenos sociais.
Utiliza uma observação naturalista e sem controle.
Exige uma mediação rigorosa e controlada.
É subjetivo.
É objetivo e orientado para o resultado.
Está próximo dos dados.
É orientado para a comprovação.
Fundamenta-se na realidade e é orientado para o processo.
É inferencial e hipotético-dedutivo.
É orientado para a descoberta, exploratório, holístico, expansionista descritivo e indutivo.
É fiável (dados sólidos e repetíveis).
É válido (dados reais, próximos, profundos).
É generalizável (estudo de casos múltiplos).
Não é generalizável (estudo de casos isolados).
Assume uma realidade estável.
Triangulação simultânea : a complementariedade entre os métodos
M
orse (1991) propõe a “triangulação simultânea” como forma de conciliação entre os métodos qualitativos e quantitativos. Esta combinação, segundo esse autor, tornaria a pesquisa mais forte, reduzindo os problemas de adoção exclusiva de um único método. Nessa mesma linha de raciocínio, Duffy (1987) indica como benefícios do emprego conjunto dos métodos quantitativos e qualitativos o seguinte:
a- Possibilidade de congregar controle dos vieses (pelos métodos quantitativos) com compreensão da perspectiva dos agentes envolvidos no fenômeno (pelos métodos qualitativos);
b- Congregar identificação de variáveis específicas (pelos métodos quantitativos) com visão global do fenômeno (pelos métodos qualitativos);
c- Possibilidade de completar um conjunto de fatos e causas associados ao emprego de metodologia quantitativa com uma visão da natureza dinâmica da realidade e
d- Credibilidade das constatações obtidas sob condições controladas com dados resultantes do contexto natural de sua ocorrência.
Assim como Morse, Reichardt & Cook (1979) defendem a complementariedade entre os métodos e propõe estratégias de integração na prática de investigação. Estes pesquisadores sugerem que recorramos à metodologia mista quando objetivarmos, simultaneamente, a realização de análises comparativas em busca de resultados compreensivos e em profundidade. Recorrer ao método misto permite a superação das limitações impostas pela metodologia qualitativa e quantitativa, permitindo a complementariedade dos dados (Triangulação), argumentam os autores.
Pesquisa Qualitativa, Pesquisa Quantitativa ou Triangulação Simultânea – Escolher é preciso!
D
o ponto de vista da praticidade, existem razões diversas que podem induzir um pesquisador a optar por uma abordagem ou outra. São considerações objetivas que levam em conta os recursos disponíveis, o tempo existente para realização da pesquisa e preparo do relatório, os incentivos disponíveis, os recursos materiais e o acesso à população pesquisada. Em síntese, a questão não é colocar a pesquisa qualitativa em oposição à pesquisa quantitativa, nem decidir por uma ou outra metodologia. A questão tem implicações práticas, empíricas e técnicas. Güinther (1986).
Ainda segundo Güinther (1986), o pesquisador não deve escolher entre um método ou outro, mas utilizar as várias abordagens qualitativas e quantitativas adequadas à sua questão de pesquisa. Da mesma forma, Goldenberg (2001) defende a união da abordagem quantitativa e qualitativa por acreditar que esta propicia ao pesquisador uma visão mais ampla e inteligível da complexidade de um problema. A combinação de metodologias no estudo do fenômeno possibilita a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do objeto estudado, argumenta a estudiosa.
Rebatendo a desconfiança na abordagem qualitativa e\ou quantitativa de alguns investigadores, Minayo & Sanches (1993) nos dizem que do ponto de vista epistemológico, nenhuma abordagem é mais científica do que a outra e que a pesquisa quantitativa, ainda que apoiada em manipulação sofisticada de instrumentos de análise, se desconhecer os fenômenos estudados e não responder às questões investigadas, não poderá ser considerada como mais “objetiva” ou “melhor”. Do mesmo modo, concluem os autores, uma abordagem qualitativa em si não traz a garantia de compreensão em profundidade.
Triangulação Simultânea- O porquê da Escolha
A
natureza e a complexidade do objeto de estudo, a especificidade da questão de pesquisa, a visão ampla e inteligível almejada me conduzem à abordagem mista, aqui denominada “triangulação simultânea” que se configura como a combinação do método qualitativo com o método quantitativo.
Pretendo discutir, na perspectiva epistemológica da complexidade, a Ação Pedagógica exercida pelos professores-formadores do Curso Gestar (Gestão da Aprendizagem Escolar) oferecido pela Universidade de Brasília-UnB. A atuação dos professores-formadores dentro desse programa de formação continuada, orientado para a formação em serviço, baseia-se na concepção sócio-construtivista em que professores-formadores e professores-cursistas se ligam por vínculos profissionais e afetivos.
O que seria, então, essa “Ação pedagógica” ou esse “agir pedagógico” definido por alguns como “Mediação pedagógica”. Em que contexto se dá tal ato e em que medida essa “Mediação” se assemelha ou se distancia das idéias de Complexidade, Ato dialógico, Postura de indagação crítica, Práxis pedagógica e Pedagogia radical, defendidas respectivamente por Edgar Morin, Paulo Freire, Rogédio Córdova, C. Castoriadis e Henry Giroux.
Propor a “ação pedagógica” de um grupo de professores como objeto de pesquisa me conduz à investigação de representações, hábitos e atitudes bem como a desenvolver conceitos a partir dos dados obtidos e esse caminho me leva, inevitavelmente, a uma abordagem qualitativa. No entanto, não podemos negar que durante o desenvolvimento da pesquisa possam surgir situações em que a abordagem quantitativa seja também apropriada. Posso, por exemplo, incorporar tendências observáveis aos resultados que só são clarificadas a partir da coleta de dados quantitativos. Assim, coloco-me como adepto das idéias de Morse, Duffy, Reichardt & Cook , propondo a junção dos métodos quantitativos e qualitativos.
Outro aspecto relevante e já citado por Güinther (1986) é a questão pragmática. Todo pesquisador busca credibilidade, respeito e, principalmente, aplicabilidade aos resultados obtidos. Por outro lado, o êxito de nosso trabalho depende de fatores tais como: poucos recursos materiais, escassez de tempo e condições adversas nas quais a pesquisa será realizada. Tudo isso obriga o pesquisador a optar por um percurso compatível às condições dadas. Logo, diante das condições reais presentes e por acreditar na superação dos limites oriundos da metodologia qualitativa e quantitativa, proponho a utilização da “triangulação simultânea” como caminho coerente e prático capaz de conduzir-me à compreensão satisfatória do objeto que pretendo investigar.
Referências bibliográficas
Duffy, Mary E., Methodological triangulation: a vehicle for merging quantitative and qualitative
Research methods, In Jornal of Nursing
Scholarship, 1978, pp. 130-133.
Delli Zotti G. 1996. Quale quantitá e quanta qualitá nella ricerca sociale: tra integrazione
E convergenza, PP. 136-166. In C Cipolla & A. De Lillo (orgs.) II Sociologo e le Sirene:
La Sfida dei Metodi Qualitativ. Angeli, Milão. [Links]
Goldenberg, Mirian. A arte da pesquisa- Como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 10ª Ed. Editora Record. Rio de Janeiro-2001.
Güinther, I. A. (1986). Pesquisa para conhecimento ou pesquisa para decisão. Psicologia: Reflexão e Crítica, 75-78.
Hofstätter, P.R. (1975). Psychologie. Frankfurt: Fischer.
Minayo, M.C & Sanches, O. 1993. Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementariedade. Caderno de Saúde Pública. [Links]
Morse, J. Approaches to qualitative-quantitative methodological triangulation,
Nursing Research, 40 (1) 1991, p. 120-132.
Perrone, L. 1997. Metodi Quantitativi ella Recerca Sociale. Feltrinelli, Milão. [Link]
Reichardt, C. e Cook, T. (1979). Beyong Qualitative versus Quantitative Methods. In T. Cook e C. Reichardt (Eds.), Qualitative and Quantitative Methods in Evaluation Research. London: Sage Publications.
RESUMO- Este ensaio discute a diferenciação entre pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa, propondo a combinação simultânea dessas duas abordagens. Apontamos a “triangulação simultânea” como um caminho complementar entre as abordagens quantitativas e qualitativas. Concluímos o trabalho justificando nossa escola metodológica a partir da natureza de nosso objeto de estudo.
Palavras-chave: pesquisa qualitativa; pesquisa quantitativa; triangulação simultânea.
INTRODUÇÃO
A
escolha do método depende da natureza do objeto e dos problemas que iremos investigar. Para Perrone (1977) a pergunta essencial sobre um método é se ele é útil para arar o terreno empírico que temos em frente. Significa dizer que o julgamento de valor que atribuímos a um determinado método deve estar relacionado à capacidade que este possui em nos aproximar da realidade pesquisada.
Seguindo esse pragmatismo, Downey & Ireland (apud Delli Zotti, 1996) nos diz que as metodologias não são nem apropriadas e nem inapropriadas, até que sejam aplicadas a um problema específico de pesquisa. Do mesmo modo, Günther (1986) afirma que pesquisa sem aplicação é um desperdício. Reconhecendo a relevância dessas afirmações e procurando evitar o reducionismo epistemológico diante dos métodos de pesquisa, assumimos uma posição pragmática ao perguntarmos: Qual é o objeto de nossa pesquisa e qual é a natureza do problema que pretendemos pesquisar, para então decidirmos por um ou outro método ou ainda pela combinação de ambos.
Neste trabalho, propomos a diferenciação entre pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa, evidenciando a complexidade da pesquisa qualitativa no que diz respeito aos pressupostos, a abordagem e o objeto de estudo. Apontamos a triangulação simultânea como um possível caminho pragmático e finalizamos o ensaio com as implicações para a pesquisa oriundas da escolha entre os métodos.
Diferenciação entre Pesquisa Qualitativa & Pesquisa Quantitativa
S
egundo Minayo & Sanches (1993) na perspectiva metodológica, não existe contradição ou continuidade entre investigação quantitativa e qualitativa. Para esses pesquisadores, as duas investigações têm natureza distinta, isto é: a investigação qualitativa aborda os valores, as representações, as crenças, os hábitos, as opiniões e atitudes, ao passo que a investigação quantitativa atua em níveis de realidade e objetiva elucidar dados e tendências observáveis.
Para Goldenberg (2001) a pesquisa qualitativa enfatiza as particularidades de um fenômeno em termos de seu significado para o grupo pesquisado, enquanto a pesquisa quantitativa supõe um grupo de objetos comparáveis. Na pesquisa qualitativa, diz a pesquisadora, a escolha do objeto já se configura como um julgamento de valor e o contexto da pesquisa, a orientação teórica, o momento sócio-histórico e a personalidade do pesquisador influenciam o resultado da pesquisa.
Buscando superar a contraposição entre os métodos qualitativos e quantitativos, Reichardt & Cook (1979) defendem a combinação dos atributos dos dois métodos a fim de solucionar com maior eficácia o problema de pesquisa. Dessa forma, para esses autores, as características atribuídas aos métodos são:
Método Qualitativo
Método Quantitativo
Fenomenologismo- interessa-se em compreender a conduta humana do ponto de vista do ator.
Positivismo lógico- procura as causas dos fenômenos sociais.
Utiliza uma observação naturalista e sem controle.
Exige uma mediação rigorosa e controlada.
É subjetivo.
É objetivo e orientado para o resultado.
Está próximo dos dados.
É orientado para a comprovação.
Fundamenta-se na realidade e é orientado para o processo.
É inferencial e hipotético-dedutivo.
É orientado para a descoberta, exploratório, holístico, expansionista descritivo e indutivo.
É fiável (dados sólidos e repetíveis).
É válido (dados reais, próximos, profundos).
É generalizável (estudo de casos múltiplos).
Não é generalizável (estudo de casos isolados).
Assume uma realidade estável.
Triangulação simultânea : a complementariedade entre os métodos
M
orse (1991) propõe a “triangulação simultânea” como forma de conciliação entre os métodos qualitativos e quantitativos. Esta combinação, segundo esse autor, tornaria a pesquisa mais forte, reduzindo os problemas de adoção exclusiva de um único método. Nessa mesma linha de raciocínio, Duffy (1987) indica como benefícios do emprego conjunto dos métodos quantitativos e qualitativos o seguinte:
a- Possibilidade de congregar controle dos vieses (pelos métodos quantitativos) com compreensão da perspectiva dos agentes envolvidos no fenômeno (pelos métodos qualitativos);
b- Congregar identificação de variáveis específicas (pelos métodos quantitativos) com visão global do fenômeno (pelos métodos qualitativos);
c- Possibilidade de completar um conjunto de fatos e causas associados ao emprego de metodologia quantitativa com uma visão da natureza dinâmica da realidade e
d- Credibilidade das constatações obtidas sob condições controladas com dados resultantes do contexto natural de sua ocorrência.
Assim como Morse, Reichardt & Cook (1979) defendem a complementariedade entre os métodos e propõe estratégias de integração na prática de investigação. Estes pesquisadores sugerem que recorramos à metodologia mista quando objetivarmos, simultaneamente, a realização de análises comparativas em busca de resultados compreensivos e em profundidade. Recorrer ao método misto permite a superação das limitações impostas pela metodologia qualitativa e quantitativa, permitindo a complementariedade dos dados (Triangulação), argumentam os autores.
Pesquisa Qualitativa, Pesquisa Quantitativa ou Triangulação Simultânea – Escolher é preciso!
D
o ponto de vista da praticidade, existem razões diversas que podem induzir um pesquisador a optar por uma abordagem ou outra. São considerações objetivas que levam em conta os recursos disponíveis, o tempo existente para realização da pesquisa e preparo do relatório, os incentivos disponíveis, os recursos materiais e o acesso à população pesquisada. Em síntese, a questão não é colocar a pesquisa qualitativa em oposição à pesquisa quantitativa, nem decidir por uma ou outra metodologia. A questão tem implicações práticas, empíricas e técnicas. Güinther (1986).
Ainda segundo Güinther (1986), o pesquisador não deve escolher entre um método ou outro, mas utilizar as várias abordagens qualitativas e quantitativas adequadas à sua questão de pesquisa. Da mesma forma, Goldenberg (2001) defende a união da abordagem quantitativa e qualitativa por acreditar que esta propicia ao pesquisador uma visão mais ampla e inteligível da complexidade de um problema. A combinação de metodologias no estudo do fenômeno possibilita a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do objeto estudado, argumenta a estudiosa.
Rebatendo a desconfiança na abordagem qualitativa e\ou quantitativa de alguns investigadores, Minayo & Sanches (1993) nos dizem que do ponto de vista epistemológico, nenhuma abordagem é mais científica do que a outra e que a pesquisa quantitativa, ainda que apoiada em manipulação sofisticada de instrumentos de análise, se desconhecer os fenômenos estudados e não responder às questões investigadas, não poderá ser considerada como mais “objetiva” ou “melhor”. Do mesmo modo, concluem os autores, uma abordagem qualitativa em si não traz a garantia de compreensão em profundidade.
Triangulação Simultânea- O porquê da Escolha
A
natureza e a complexidade do objeto de estudo, a especificidade da questão de pesquisa, a visão ampla e inteligível almejada me conduzem à abordagem mista, aqui denominada “triangulação simultânea” que se configura como a combinação do método qualitativo com o método quantitativo.
Pretendo discutir, na perspectiva epistemológica da complexidade, a Ação Pedagógica exercida pelos professores-formadores do Curso Gestar (Gestão da Aprendizagem Escolar) oferecido pela Universidade de Brasília-UnB. A atuação dos professores-formadores dentro desse programa de formação continuada, orientado para a formação em serviço, baseia-se na concepção sócio-construtivista em que professores-formadores e professores-cursistas se ligam por vínculos profissionais e afetivos.
O que seria, então, essa “Ação pedagógica” ou esse “agir pedagógico” definido por alguns como “Mediação pedagógica”. Em que contexto se dá tal ato e em que medida essa “Mediação” se assemelha ou se distancia das idéias de Complexidade, Ato dialógico, Postura de indagação crítica, Práxis pedagógica e Pedagogia radical, defendidas respectivamente por Edgar Morin, Paulo Freire, Rogédio Córdova, C. Castoriadis e Henry Giroux.
Propor a “ação pedagógica” de um grupo de professores como objeto de pesquisa me conduz à investigação de representações, hábitos e atitudes bem como a desenvolver conceitos a partir dos dados obtidos e esse caminho me leva, inevitavelmente, a uma abordagem qualitativa. No entanto, não podemos negar que durante o desenvolvimento da pesquisa possam surgir situações em que a abordagem quantitativa seja também apropriada. Posso, por exemplo, incorporar tendências observáveis aos resultados que só são clarificadas a partir da coleta de dados quantitativos. Assim, coloco-me como adepto das idéias de Morse, Duffy, Reichardt & Cook , propondo a junção dos métodos quantitativos e qualitativos.
Outro aspecto relevante e já citado por Güinther (1986) é a questão pragmática. Todo pesquisador busca credibilidade, respeito e, principalmente, aplicabilidade aos resultados obtidos. Por outro lado, o êxito de nosso trabalho depende de fatores tais como: poucos recursos materiais, escassez de tempo e condições adversas nas quais a pesquisa será realizada. Tudo isso obriga o pesquisador a optar por um percurso compatível às condições dadas. Logo, diante das condições reais presentes e por acreditar na superação dos limites oriundos da metodologia qualitativa e quantitativa, proponho a utilização da “triangulação simultânea” como caminho coerente e prático capaz de conduzir-me à compreensão satisfatória do objeto que pretendo investigar.
Referências bibliográficas
Duffy, Mary E., Methodological triangulation: a vehicle for merging quantitative and qualitative
Research methods, In Jornal of Nursing
Scholarship, 1978, pp. 130-133.
Delli Zotti G. 1996. Quale quantitá e quanta qualitá nella ricerca sociale: tra integrazione
E convergenza, PP. 136-166. In C Cipolla & A. De Lillo (orgs.) II Sociologo e le Sirene:
La Sfida dei Metodi Qualitativ. Angeli, Milão. [Links]
Goldenberg, Mirian. A arte da pesquisa- Como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 10ª Ed. Editora Record. Rio de Janeiro-2001.
Güinther, I. A. (1986). Pesquisa para conhecimento ou pesquisa para decisão. Psicologia: Reflexão e Crítica, 75-78.
Hofstätter, P.R. (1975). Psychologie. Frankfurt: Fischer.
Minayo, M.C & Sanches, O. 1993. Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementariedade. Caderno de Saúde Pública. [Links]
Morse, J. Approaches to qualitative-quantitative methodological triangulation,
Nursing Research, 40 (1) 1991, p. 120-132.
Perrone, L. 1997. Metodi Quantitativi ella Recerca Sociale. Feltrinelli, Milão. [Link]
Reichardt, C. e Cook, T. (1979). Beyong Qualitative versus Quantitative Methods. In T. Cook e C. Reichardt (Eds.), Qualitative and Quantitative Methods in Evaluation Research. London: Sage Publications.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Estratégias de análise de dados qualitativos

O objetivo da análise de dados é alcançar os sentidos de compreensão dos temas de conteúdos semelhantes, bem como desvelar suas funções. A análise pode ocorrer dentro de uma variedade de abordagens decorrentes das diversas possibilidades inerentes à entrevista semi-estruturada.
Conforme a questão de pesquisa é possível substituir ou desmontar a estrutura original da entrevista. Significa dizer que a estrutura inicial de uma entrevista pode ser recriada a fim de ser obter uma nova perspectiva. Fica caracterizado, portanto, a flexibilidade do instrumento “entrevista semi-estrutura” que deve ser pensado e repensado sempre a partir dos objetivos específicos propostos pelo pesquisador.
Quanto à fase de preparação dos dados, que se inicia com a transcrição das entrevistas, é primordial a checagem (retorno) dos objetivos específicos para que se possa transformá-los em categorias. É importante reconhecer que não é possível analisar todos os dados exaurindo-os.
As subcategorias são retiradas das falas dos pesquisados. Por exemplo, supondo que estivéssemos pesquisando sobre o conceito de “motivação”, teríamos que transformar as falas em um código redutor (significante para o conceito). Portanto, para gerar subcategorias é preciso estar atento às falas dos respondentes.
O objetivo maior da análise dos dados é fazer emergir uma “teoria” sobre o tema pesquisado. Neste ponto não se deve incluir a fala de outros autores, pois é imperativo criar uma nova teoria fundamentada na fala dos pesquisados. Assim, analisar os dados é, na prática, discursar sobre categorias e subcategorias, criando uma teoria real advinda de instrumentos científicos.
As estratégias de análise de dados são diversas. Existem 58 modelos de análise do discurso. Escolha um paradigma analítico e mãos à obra, afirmou o professor Galvão. Compreendendo essa natureza pragmática, começo a sistematizar meu projeto de pesquisa de forma simples e objetiva: utilizarei apenas dois instrumentos de levantamento de dados por acreditar que isso facilitará a qualidade e a profundidade de minhas análises.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Pesquisa participante e Pesquisa-ação

A pesquisa participante busca o envolvimento da comunidade na análise de sua própria realidade. Ela se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas, enquanto a pesquisa-ação ocorre em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo.
Demo (1985) não faz distinção entre pesquisa participante e pesquisa-ação. Segundo esse pesquisador, ambas têm o compromisso com a prática. Contudo, esse mesmo autor nos diz que o movimento da pesquisa participante nasceu da decepção advinda do método tradicional. É como se esse método não fosse capaz de revelar (explicitar) a realidade social.
Michel Thiollent, em “Metodologia da pesquisa-ação” define pesquisa-ação como um tipo de pesquisa social com base empírica que seria concebida em estreita associação com a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e os participantes estariam envolvidos de modo cooperativo. Para alguns, a pesquisa-ação é uma forma de engajamento sócio-político à serviço das classes populares.
A pesquisa participante apresenta, segundo Demo (1985) três momentos essenciais, a saber: 1- o autodiagnóstico, que seria a confluência entre conhecimento científico e saber popular. Este momento conduziria à cidadania e esta, por sua vez, estaria à serviço da autonomia; 2- A estratégia de enfrentamento prático dos problemas encontrados- seria o percurso entre a teoria e a prática. 3- Por fim, o momento da necessidade de organização política- que consistira na definição da estratégia de enfrentamento do problema propriamente dito.
Seja na pesquisa participante ou na pesquisa-ação, o princípio ético de que o saber científico não é tudo é fundamental. Afinal, não importamos das ciências sociais a suposta “neutralidade”. Deste modo, resguardar nossa posição sem se contaminar pelo senso comum e nem influenciar os resultados de uma pesquisa é sempre o mais complicado.
Demo (1985) não faz distinção entre pesquisa participante e pesquisa-ação. Segundo esse pesquisador, ambas têm o compromisso com a prática. Contudo, esse mesmo autor nos diz que o movimento da pesquisa participante nasceu da decepção advinda do método tradicional. É como se esse método não fosse capaz de revelar (explicitar) a realidade social.
Michel Thiollent, em “Metodologia da pesquisa-ação” define pesquisa-ação como um tipo de pesquisa social com base empírica que seria concebida em estreita associação com a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e os participantes estariam envolvidos de modo cooperativo. Para alguns, a pesquisa-ação é uma forma de engajamento sócio-político à serviço das classes populares.
A pesquisa participante apresenta, segundo Demo (1985) três momentos essenciais, a saber: 1- o autodiagnóstico, que seria a confluência entre conhecimento científico e saber popular. Este momento conduziria à cidadania e esta, por sua vez, estaria à serviço da autonomia; 2- A estratégia de enfrentamento prático dos problemas encontrados- seria o percurso entre a teoria e a prática. 3- Por fim, o momento da necessidade de organização política- que consistira na definição da estratégia de enfrentamento do problema propriamente dito.
Seja na pesquisa participante ou na pesquisa-ação, o princípio ético de que o saber científico não é tudo é fundamental. Afinal, não importamos das ciências sociais a suposta “neutralidade”. Deste modo, resguardar nossa posição sem se contaminar pelo senso comum e nem influenciar os resultados de uma pesquisa é sempre o mais complicado.
QUESTIONÁRIOS

A aula de Metodologia da Pesquisa do dia 09 de junho de 2009, conduzida pelo professor Galvão, seguiu a seguinte sequência : inicialmente o professor nos apresentou o “Resumo do Projeto” que segundo ele, serviria de orientação ao nosso projeto de pesquisa. Seria uma espécie de exercício de pesquisa que iria facilitar nosso trabalho. Em seguida, nos foi anunciado que aquela aula se desenvolveria em três momentos. No primeiro, iríamos analisar alguns questionários, no segundo trabalharíamos algumas orientações práticas para elaboração de questionários e por fim, iríamos analisar slides contento informações adicionais também sobre questionários.
Iniciamos a análise do primeiro questionário cujo propósito era buscar informações a respeito da “Juventude brasileira” e o primeiro problema verificado nele foi a extensão. Segundo o grupo encarregado da análise, o tamanho exagerado do questionário era prejudicial aos resultados da pesquisa, pois, conforme argumentaram, tal instrumento de coleta de dados não era apropriado ao grupo de respondentes, ou seja, eram inadequados ao grupo de pesquisados. O professor Galvão lançou as seguintes questões ao grupo: Como eu sei que é extenso. E por que a extensão é um problema. Quanto tempo vocês acham que eles levaram para responder. Após algumas respostas equivocadas, o professor fez as seguintes considerações: o tamanho do questionário é determinado pelos objetivos do projeto e a pilotagem é quem vai determinar se a extensão é apropriada ou não. Há que se ter bom senso e experiência e intuição são importantes. Outro aspecto é a linguagem que deve ser adequada ao universo da população investigada. O questionário não deve ser longo demais, nem maçante, pois quanto mais pessoas responderem, maiores serão as chances de êxito. Ainda sobre a linguagem utilizada nas questões, é preciso levar em consideração os diferentes aspectos culturais dos participantes já que percepções estão sempre ligadas aos diferentes campos semânticos.
O segundo problema apontado nesse questionário diz respeito à identificação dos participantes. Havia a exigência de que os pesquisados se identificassem. Isto, segundo a análise do grupo, poderia ter provocado o constrangimento dos respondentes. Ocorre que ninguém gosta de se expor e o pesquisador tem o dever ético de preservar as fontes, afirmou o professor. Finalizando a análise crítica desse questionário, o professor Galvão chamou-nos a atenção para a postura preconceituosa com que os pesquisadores iniciaram seus trabalhos. Segundo o professor, eles partiram do pressuposto de que todos (ou somente) os estudantes pobres estão em situação de risco psico-social. O lado positivo da pesquisa foi ter confirmado que a escola é fundamental no trabalho de resgate social desses alunos.
Nesta aula, analisamos outros questionários que apresentaram, basicamente, inadequações quanto à formatação, excesso de formalidade na linguagem e até exagero na quantidade de questões abertas. Quanto ao tipo de questão, se aberta ou fechada, gastamos boa parte do encontro nessa discussão. Concluímos que as questões fechadas são mais apropriadas às pesquisas quantitativas; Que as questões abertas, embora mais trabalhosas, possibilitam ao entrevistado maior amplitude nas respostas. Por outro lado, questões abertas podem provocar confusão ao raciocínio do respondente e até mesmo atrapalhar o pesquisador durante a análise dos dados. O principal, entretanto, foi a clareza que temos agora, sobre os objetivos e o porquê de cada tipo de questão: as questões abertas visam\almejam “razões” enquanto as questões fechadas buscam “tendências”.
Na segunda parte do encontro, destinada às orientações práticas para elaboração de questionários, apenas iniciamos o estudo do texto “Guia para construção de questionários”.
De modo geral, esta aula foi produtiva e esclarecedora. A estratégia de análise prática dos questionários se mostrou bastante eficaz. As leituras realizadas previamente ganharam significados consistentes.
Iniciamos a análise do primeiro questionário cujo propósito era buscar informações a respeito da “Juventude brasileira” e o primeiro problema verificado nele foi a extensão. Segundo o grupo encarregado da análise, o tamanho exagerado do questionário era prejudicial aos resultados da pesquisa, pois, conforme argumentaram, tal instrumento de coleta de dados não era apropriado ao grupo de respondentes, ou seja, eram inadequados ao grupo de pesquisados. O professor Galvão lançou as seguintes questões ao grupo: Como eu sei que é extenso. E por que a extensão é um problema. Quanto tempo vocês acham que eles levaram para responder. Após algumas respostas equivocadas, o professor fez as seguintes considerações: o tamanho do questionário é determinado pelos objetivos do projeto e a pilotagem é quem vai determinar se a extensão é apropriada ou não. Há que se ter bom senso e experiência e intuição são importantes. Outro aspecto é a linguagem que deve ser adequada ao universo da população investigada. O questionário não deve ser longo demais, nem maçante, pois quanto mais pessoas responderem, maiores serão as chances de êxito. Ainda sobre a linguagem utilizada nas questões, é preciso levar em consideração os diferentes aspectos culturais dos participantes já que percepções estão sempre ligadas aos diferentes campos semânticos.
O segundo problema apontado nesse questionário diz respeito à identificação dos participantes. Havia a exigência de que os pesquisados se identificassem. Isto, segundo a análise do grupo, poderia ter provocado o constrangimento dos respondentes. Ocorre que ninguém gosta de se expor e o pesquisador tem o dever ético de preservar as fontes, afirmou o professor. Finalizando a análise crítica desse questionário, o professor Galvão chamou-nos a atenção para a postura preconceituosa com que os pesquisadores iniciaram seus trabalhos. Segundo o professor, eles partiram do pressuposto de que todos (ou somente) os estudantes pobres estão em situação de risco psico-social. O lado positivo da pesquisa foi ter confirmado que a escola é fundamental no trabalho de resgate social desses alunos.
Nesta aula, analisamos outros questionários que apresentaram, basicamente, inadequações quanto à formatação, excesso de formalidade na linguagem e até exagero na quantidade de questões abertas. Quanto ao tipo de questão, se aberta ou fechada, gastamos boa parte do encontro nessa discussão. Concluímos que as questões fechadas são mais apropriadas às pesquisas quantitativas; Que as questões abertas, embora mais trabalhosas, possibilitam ao entrevistado maior amplitude nas respostas. Por outro lado, questões abertas podem provocar confusão ao raciocínio do respondente e até mesmo atrapalhar o pesquisador durante a análise dos dados. O principal, entretanto, foi a clareza que temos agora, sobre os objetivos e o porquê de cada tipo de questão: as questões abertas visam\almejam “razões” enquanto as questões fechadas buscam “tendências”.
Na segunda parte do encontro, destinada às orientações práticas para elaboração de questionários, apenas iniciamos o estudo do texto “Guia para construção de questionários”.
De modo geral, esta aula foi produtiva e esclarecedora. A estratégia de análise prática dos questionários se mostrou bastante eficaz. As leituras realizadas previamente ganharam significados consistentes.
Pesquisa Etnográfica, Teoria Fundamentada
Para Lüdker (1999) as técnicas etnográficas eram utilizadas quase que exclusivamente pelos antropólogos e sociólogos. Na década de 70, no entanto, os pesquisadores da área de educação começaram a fazer uso dessas técnicas, dando origem a linha de pesquisa antropológica ou etnográfica.
Durante a aula, a profª Kátia Brasil esclareceu a origem do termo “etnografia” (ethnos= nação\povo e grafia= escrever) dizendo que a pesquisa etnográfica busca sempre uma interpretação e que o pesquisador busca conhecer os modos de vida, numa visão cultural ou mesmo particular de um grupo.
Hoje, os pesquisadores da área educacional têm demonstrado interesse pelas metodologias qualitativas, mas existem muitas dúvidas quanto à aplicabilidade dessas metodologias. As principais, segundo Lüdker (1999) seriam: quando é ou não adequado usá-las; como se coloca a questão e do rigor científico e principalmente, há uma total confusão com os reais significados das expressões “pesquisa qualitativa”, “etnografia”, “naturalística”, “participante”, “estudo de caso” e “estudo de campo”.
Wilson (1977) afirma que a pesquisa etnográfica aborda dois conjuntos de hipóteses sobre o comportamento humano: a naturalista-ecológica e a qualitativa-fenomenológica. A primeira hipótese supõe que o comportamento humano é influenciado pelo contexto em que se situa, enquanto a segunda defende que é quase impossível compreendê-lo sem entender o quadro referencial dentro do qual os indivíduos interpretam seus pensamentos, sentimentos e ações. Em consonância com tais idéias, a profª Kátia Brasil, nos afirmou que os dados obtidos pelo pesquisador lançarão luzes sobre o funcionamento da cultura e do comportamento humano.
A pesquisa etnográfica tem suas raízes na antropologia e na sociologia e, geralmente, o pesquisador participa efetivamente do ambiente pesquisado, embora não o estruture. O objetivo maior é explorar (compreender) as atividades na perspectiva dos atores. É, portanto, por excelência, uma observação participante.
A aula cumpriu seu propósito, pois foi possível compreender que o objetivo da pesquisa etnográfica é descrever um quadro global em que seja evidenciada a realidade em sua plenitude.
Durante a aula, a profª Kátia Brasil esclareceu a origem do termo “etnografia” (ethnos= nação\povo e grafia= escrever) dizendo que a pesquisa etnográfica busca sempre uma interpretação e que o pesquisador busca conhecer os modos de vida, numa visão cultural ou mesmo particular de um grupo.
Hoje, os pesquisadores da área educacional têm demonstrado interesse pelas metodologias qualitativas, mas existem muitas dúvidas quanto à aplicabilidade dessas metodologias. As principais, segundo Lüdker (1999) seriam: quando é ou não adequado usá-las; como se coloca a questão e do rigor científico e principalmente, há uma total confusão com os reais significados das expressões “pesquisa qualitativa”, “etnografia”, “naturalística”, “participante”, “estudo de caso” e “estudo de campo”.
Wilson (1977) afirma que a pesquisa etnográfica aborda dois conjuntos de hipóteses sobre o comportamento humano: a naturalista-ecológica e a qualitativa-fenomenológica. A primeira hipótese supõe que o comportamento humano é influenciado pelo contexto em que se situa, enquanto a segunda defende que é quase impossível compreendê-lo sem entender o quadro referencial dentro do qual os indivíduos interpretam seus pensamentos, sentimentos e ações. Em consonância com tais idéias, a profª Kátia Brasil, nos afirmou que os dados obtidos pelo pesquisador lançarão luzes sobre o funcionamento da cultura e do comportamento humano.
A pesquisa etnográfica tem suas raízes na antropologia e na sociologia e, geralmente, o pesquisador participa efetivamente do ambiente pesquisado, embora não o estruture. O objetivo maior é explorar (compreender) as atividades na perspectiva dos atores. É, portanto, por excelência, uma observação participante.
A aula cumpriu seu propósito, pois foi possível compreender que o objetivo da pesquisa etnográfica é descrever um quadro global em que seja evidenciada a realidade em sua plenitude.
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